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Super Mario World Central Production 2

Autor: SMWCentral
Hack completa: 108 saídas
Emulador recomendado: Snes9x 1.60

"Depois de quase 11 anos, finalmente está aqui"

O que começou como tradição e acabou se tornando uma piada ao longo dos anos finalmente conseguiu enxergar a luz do sol. Após 11 anos em coma induzido, ASMWCP2 surge como uma bomba nuclear para causar pânico naqueles que achavam que a hack jamais iria ficar pronta. Contemplem, meus amigos, um marco internacional da comunidade de SMWhacking.

Observem como o mapa é super detalhado.
Existe até indicadores dos colecionáveis/saídas!

A muito, mas muito tempo atrás, do tempo que a Mario Hacks tinha o site antigo e outra equipe, foi anunciado e compartilhado algumas builds do que seria a continuação do projeto anterior com mesmo nome. O problema é que o projeto era enorme, tinha muita coisa pra ser feita e não só os responsáveis estavam preocupados em lançar "a melhor e mais revolucionária hack da comunidade" como também precisavam lidar com bugs... muitos bugs. E sabe o que acontece quando você arruma uma coisa e estraga outra? Pois é, dá vontade de jogar tudo pra cima.

Pois então, após um certo tempo a collab ficou abandonada. Se ela seria lançada era um mistério, até porque de lá pra cá MUITA hack foi lançada, enquanto a collab só ficava chupando dedo. Até que chegou um dia em que Blind Devil resolveu chamar Falconpunch pra refazer o projeto de uma vez por todas. Por um longo tempo, o pessoal da collab foi fazendo a sua parte enquanto o nosso capeta brasileiro se encarregava de todo ASM possível.

Se liga só no apelo visual de algumas fases iniciais.

Por motivos pessoais, Blind Devil teve que não só se ausentar do projeto como também se retirou do hobby. E essa notícia não só deixou alguns tristes como também deixou o time em desespero: era muito trabalho e Falconpunch começou a se sentir sobrecarregado, ele precisava de ajuda. Certo dia, TheMorganah entrou na equipe por 3 dias e tudo que ela fez foi chamar gente habilidosa e que se importava com o projeto. A pressão era tanta que a coitada não aguentou e resolveu cair fora, alegando ser por motivos emocionais.

Após todo esse momento dramático, Falconpunch percebeu que era mais importante lançar a hack logo do que lançar algo que arrancaria elogios do mundo inteiro por 100 anos. Enquanto eles trabalhavam, a comunidade alimentava a idéia que o projeto seria uma piada total e que jamais seria lançada. Poucos projetos na comunidade chegaram a atingir 10 anos ou mais, mas este foi um caso delicado pois estamos falando de uma collab.

Mas enfim, após todo esse inferno a hack finalmente foi lançada.
E agora em diante, uma análise profunda do projeto até então.

Um exemplo de como até as Switch Palaces ficaram de cara nova.
Agora você pode jogar elas duas vezes pra pegar a saída secreta também!

Ao contrário da hack anterior, o plot da collab dessa vez é mais criativo: é seu dever acabar de vez com o império corrupto de um setor industrial que pretende destruir a natureza pra erguer cadeias e indústrias (tipo o que tá rolando na Amazônia, mas ninguém se importa). O jogo possui vários mundos, acredito que são ao todo 9. No fim de cada um deles existe um chefe corrupto te esperando pra dar aquela porrada.

Basicamente tudo que foi possível foi criado e se não criado, editado. Gráficos, música, o gráfico do Mario (Luigi tá de fora dessa), o conceito de Switch Palaces serem templos, conteúdo bônus caso você seja louco de caçar 3 SMWC coins em cada fase... teve um monte de coisa nova por aqui. Como a HUD mudou, agora não existe mais item reserva, então agora você só troca de poder pelo mais forte disponível (cogumelo pela capinha, por exemplo).

Um exemplo de como certas fases são enormes ao ponto de poder andar por baixo delas.

De longe, ao ver esses gráficos lindos vocês já devem lembrar de outro jogo super similar: Mario Game. De fato, ambos jogos possuem uma direção artística original e até similar, porém aqui FalconPunch resolveu aderir um caminho mais realista. Vulcões não são rios de lava e oceanos profundos possuem densidade. São detalhes incomuns em jogos fantasiosos mas que decretam um certo diferencial ao projeto.

Pra ser um projeto com bagulho tudo original, a trilha sonora está muito boa. Repleta de composições feitas por colaboradores talentosos, a hack segue um padrão tradicional de músicas temáticas, daquelas que tocam em certos mundos e outras tocam em qualquer lugar. A música do Boss é irada e convida o jogador a cair no quebra-pau. O único meme é a música do P-Switch que depois de tanto ouvir em certas fases você vai querer jogar no MUDO da televisão.

Spoiler: a Peach não está na hack.

A jogabilidade aqui é a chave, meu amigo. Por mais que o jogo siga a regrinha tradicional café com leite de hacks clássicas de 2010, o jogo experimentou daqui e errou dali (mas foi necessário pra evitar maiores tristezas). As fases são variadas e boa parte delas possuem um belo entretenimento. Algumas delas são enormes, outras um pouco mais curtinhas. A maior sacanagem aqui é que enquanto da metade pra frente o jogo abusa de P-Switch (pra quebra-cabeças) da metade pra frente a dificuldade fica quase injusta. Injusta mesmo (e com razão).

Cada fase possui 3 SMWCoins e quando você pegar todas elas vai destravar algo no final do jogo. É possível checar o seu progresso apertando SELECT no mapa, algo jamais visto antes em uma hack do bigodudo. Os chefes foram feitos do zero e todos eles possuem gráficos e movimentos originais... dá muita vontade de enfrentar-los (até porque não é um koopa que rebimba nos muros). Realmente, a hack mostrou que ASM faz a diferença em um projeto... mas não faz milagre.

Essa é uma das features mais bacanas que uma collab poderia ter feito.
Pra quem gosta de ir atrás de colecionáveis, isso é demais.

A experiência da hack, mesmo que casual, se torna massivamente entediante da metade da hack pro final. O jogo eleva a dificuldade (como de costume) mas exige uma série de raciocínio fora de série pra concluir coisas simples. O mundo secreto é um deles: o jogador precisa adivinhar um certo procedimento que é tão chato, mas tão chato que vale mais a pena baixar o save 100% (o pior de tudo é que o mundo secreto só é bonito, não tem nada de especial).

O que começa com um passeio no parque acaba virando uma lista de compras.
A ausência de controle de qualidade também agrava isso.

A collab é enorme e até que consegue entreter o jogador, mas não possui tanta variedade. Logo no começo do jogo você vai ficar com nojo da música do P-Switch de tanto fazer puzzle. Certas fases possuem momentos cirúrgicos pra fazer você perder vida. Mas eu acredito que a cereja do bolo foi o jogo acabar do nada, sem crédito ou "obrigado por jogar". Pra mim o novo sistema de poderes não me atrapalha mas quem tá acostumado com o original vai sentir a diferença.

Esses são os melhores momentos do tão sonhado mundo secreto.
Cuidado com as luzes rápidas, podem matar alguém desprevenido.

Pontos Positivos:
+ Visuais belíssimos pra ser considerado arte original.
+ Re-skins super criativos de inimigos.
+ Trilha sonora épica, super original.
+ Conteúdo bônus pra quem gosta de perder investir tempo.
+ Os chefes são divertidos de enfrentar.
+ ASM faz a diferença por aqui.

Pontos Negativos:
- Level Design interessante mas com dificuldade inconsistente.
- Andar pelo mapa principal é confuso ás vezes.
- O novo sistema de powerup pode incomodar novatos.
- O jogo se recusa a salvar usando Super Everdrive.
- Acessar o mundo secreto não é intuitivo, mas um deboche.
- O jogo acaba de forma inesperada e de forma anti-climática.

Sugestões:
=> O jogo poderia indicar melhor os caminhos pelo mapa.
=> O jogo poderia respeitar e recompensar melhor o jogador pelo seus esforços.

Existe uma razão para algo demorar tanto para ficar pronto: desânimo, falta de interesse, falta de tempo livre... enfim. Por aqui, encontramos um fruto conservado de uma equipe que ao longo de 11 anos não sabia se desistia ou continuava, se pediam ajuda ou se esperavam cair do céu. Apesar de um desenvolvimento conturbado, esta hack teve a sorte de ver a luz do dia graças a pessoas que realmente se importavam e que sem elas, não seriam nada.

Fazer uma hack não é fácil mas fazer uma hack com outras pessoas é pior ainda. São pessoas diferentes, mentes diferentes e vidas diferentes trabalhando em união, em prol de um jogo que não pode ser comercializado. A Super Mario World Central 2 merece ter o seu espaço ao lado do sol após tudo que passou, mesmo que sua memória não dure por muito tempo.

Tu sabe que a hack é antiga quando o climax dela é Elite Koopa.
Aliás nada de mostrar chefes: seria spoiler, ok? 

Dificuldade: 4/5
Uma hack relativamente fácil porém exageraram nos mundos finais.
A única claustrofobia que eu gosto é aquela banda, sacou?

Jogabilidade: 8/10
Mantiveram o antigo, atualizaram o que era preciso.
Um passeio no parque para aqueles que desejam uma experiencia tradicional.

Gráficos: 9/10
Para gráficos originais, eles são até ótimos.
Ponto extra pra originalidade e realismo em certos levels.

Músicas: 8/10
Uma trilha sonora épica composta por músicas originais.
Os efeitos sonoros como P-Switch vão irritar alguns jogadores.

Mapa: 10/10
Absolutamente fantástico.

Criatividade: 6/10
Não foi o ponto forte da hack já que a história é apenas um motivo pra ter os chefes.
Mas hey, já é alguma coisa.

Nota final: 9/10
É como dizem: quanto mais longo a corda, mais fácil ela arrebenta.
Sorte a nossa essa corda era de boa qualidade.

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