Autor: Marcos Moutta
Hack completa: 11 saídas
Emulador recomendado: Snes9x 1.60
ATENÇÃO:
Essa hack possui a tecnologia SA-1.
Copa do Mundo tá aí e você contando os dias pros jogos da seleção brasileira chegar pra sair mais cedo da escola/trabalho/faculdade. E pra entrar em clima de futebol não tem momento melhor do que jogar uma hack 100% brasileira feito por um brasileiro que não leva nada á sério, mandando ver nos memes globais. Produzida por Marcos Moutta, Mario Goes To Brazil é uma hack verde-amarela inspirada no infame meme "Please, come to Brazil". Será que morri? Olha no que deu.
Primeira coisa que turista faz: visitar favela.
A premissa da hack é exatamente o que você está vendo: Mario visita o Brasil. Ele inicia a sua jornada bombástica em Copacabana até desbravar o que restou da Amazônia. Cada fase representa um ponto turístico do país, utilizando o humor típico brasileiro para satirizar fatos de cada região, exagerando-as na nona potência. Não só você vai encontrar dinossauros no Acre como também vai ser recebido á bala em Copacabana.
Você sabe... o tipo de coisa que o pessoal acha graça no Facebook.
Apesar de ousada, a hack não vai agradar á todos. O jogo aborda problemas do nosso país de forma sensacionalista na tentativa de entreter o público estrangeiro (a hack está em inglês por uma razão) através de um humor auto-depreciativo. Segundo o autor, a hack foi criada porque ele queria mostrar ao mundo que o Brasil "não é só cerveja, futebol e carnaval" porém acabou apelando pra um conteúdo tão questionável quanto a qualidade da gameplay.
Já não basta o cara estar de vermelho, pisou no RJ e já recebe bala.
A vida imita a arte ou a arte imita a vida?
O level design não é memorável ao ponto de você lembrar mais dos chefes do que da fase em si. Boa parte das fases são super retas e consiste em ir do ponto X ao Y sem morrer (e o jogo faz de tudo pra te matar). Em uma das fases o autor obriga o jogador ir até o final pra pegar uma chave e retornar ao começo enquanto foge de um inimigo que te persegue. Ironicamente, as únicas duas fases da hack que possuem backtracking são mais fáceis que as outras.
Não só a gameplay ficou estupidamente difícil com a remoção de certas funções (como spinjump) o autor decidiu remover totalmente a utilidade da capa: não voa nem ataca. Desviar de inimigos com espinhos acabou estressando jogadores uma vez que estes foram usados estrategicamente. Morrer se tornou comum e devido a um bug é impossível salvar seu progresso*. Infelizmente o jogo se deixou levar por uma piada e irrita mais o jogador do que apenas tenta divertir.
Correção: De fato, é possível sim salvar o seu progresso usando o sistema por blocos que a hack apresenta. Entretanto, o jogo só irá salvar se você perder todas as vidas e queira continuar jogando. Isso complica bastante porque jogos que usam sistema de save foram feitos pra serem zerados com calma, salvando o progresso do jogador após desligar o console. Se a meta do jogo é ser zerado numa sentada só (como SMB) então dizer que o jogo "salva" é desnecessário.
Enquanto a trilha sonora possui grandes sucessos que combinam com algumas fases (apesar de que a qualidade delas é inconsistente) os gráficos deixam á desejar. Não só o jogo usa o layer 3 sem transparência por cima do foreground (atrapalhando sua visão) como também possui um visual simples. Fases com gráficos ripados se destacam dos gráficos vanilla, porém alguns objetos foram editados e coloridos de uma forma não tão legal assim. Um exemplo? Os blocos de cimento (que por sinal parecem usar as cores da Yoshi Coin).
A hack erra feio ao remover a sua statusbar para manter um visual mais limpo porém ignora completamente que é possível coletar moedas, powerups e até Yoshi Coins (que não fazem a menor diferença por aqui). É possível sim pegar vidas extras durante as fases mas você só descobre quanto tem ao morrer e voltar ao mapa principal. Pelo menos o autor usou gráficos de SMB2 (USA), algo que poucas hacks da comunidade gostam de usar. Gostei do tempero.
Das 11 fases apenas duas são longas e giram em torno de um backtracking.
Você acha isso divertido? Tenta sem savestate.
O que me incomoda é que esta hack se tornou popular não por causa que ela merece, mas por causa que ela é infame. O projeto é de fato criativo e possui o potencial pra se tornar algo bem mais interessante porém a execução de suas idéias foram feitas "como podiam". E por se tratar de uma piada há quem diga que ela entra na mesma categoria de hacks como Chaos CompleXX, quando o propósito da hack é entregar algo ruim de propósito em nome de... memes.
Só que aqui o buraco é mais embaixo: eu tenho certeza que o autor de fato se dedicou em trazer algo novo, porém sua experiência não foi suficiente. O que aconteceu foi um belo projeto arruinado por decisões erradas, decisões essa que comprometeram a qualidade da experiência. A hack era pra ser difícil? Ficou injusta. A hack era pra ser engraçada? Ficou ofensiva. Claro, humor é subjetivo (tem gente que ri de doença, então imagine) mas erros de game design são fatos.
Uma das fases em que o autor acertou em cheio: ela é bonita e divertida.
Mas á quem diga que ela não tem nada a ver com o país.
Mario Goes To Brazil é um projeto tão errado mas tão errado que deu certo. E quando esse tipo de coisa acontece não é razão pra se ter orgulho pois tem muita coisa pra ser consertada. De fato ruim ela não é, mas não é aceitável ao ponto de você recomendar seriamente pra alguém como se fosse um jogo bom. Recomendo que o autor revise suas decisões, colete feedback e quem sabe entregue algo que faça o brasileiro ter orgulho de si lá fora ao invés de se tornar a própria piada.
Será que a Família Dinossauro mora nessa rua?
Dificuldade: 4/5
O jogo removeu funções básicas pra elevar a sua dor artificialmente.
Está sim difícil como falam, mas injustamente.
Jogabilidade: 5/10
Fases planas cheias de inimigos e backtracking.
O pior é que o jogo nem salva.
Gráficos: 6/10
Definitivamente o jogo não recebeu tanta atenção visual.
Algumas fases nem se quer combinam com o local.
Músicas: 7/10
Não tem música de Top Gear.
Não tem música de Top Gear.
Mapa: 6/10
Arte principal bem feita mas posição podia ser um pouco mais precisa.
O mapa que salva não combina com a atmosfera do jogo.
Criatividade: 5/10
Proposta genial mas que escolheu uma direção da qual não dou credibilidade.
Continua mais criativo que salvar princesas...
Nota final: 7x1/10
Sinceramente essa hack não me deixou nem brava, mas decepcionada.
Não gostei, não recomendo. Prefiro ver o filme do Pelé.
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