Um passarinho verde me contou que você resolveu criar a sua própria hack de Super Mario World, não é mesmo? Assistiu aquela gameplay no youtube ou jogou alguma hack que analisamos por aqui: não importa, a vontade bateu. Abriu o Lunar Magic e já está fazendo hack com chão de munchers mas percebeu que está faltando alguma coisa. Pois bem, nós da Mario Hacks temos algumas dicas para iluminar a sua jornada no mundo do SMWhacking.
#1 - Calma aí, é apenas um hobby!
Essa é uma dica que precisamos ficar sempre lembrando o pessoal, tanto aqueles que começaram ontem como aqueles que já tem quase 10 anos de experiência: smwhacking é apenas um passatempo criativo. Claro, tem aqueles (assim como eu) que gostam de jogar, que gostam de criar jogos e esse passatempo pode ser (ou será) a sua porta de entrada para o desenvolvimento de jogos, por que não? Estamos criando algo novo encima de algo que já existe, mas já é algo.
Infelizmente, de 2018 para cá, eu percebi que algumas pessoas levaram o hobby tão a sério que o ego delas começaram a competir pra ver quem fazia a melhor hack, chegando a ocorrer disputas entre equipes. Não só alguns deles tiveram prestígio na comunidade como também desenvolveram certa arrogância, contaminando a cabeça dos novatos até então. É ótimo receber elogios quando você faz um bom trabalho mas não sinta-se o rei da cocada preta, falou?
#2 - Não tenha medo de cometer erros
Errar é humano mas persistir no erro já é questionável. Entretanto, praticamente quase tudo na vida pra você aprender precisa errar primeiro (e pra falar a verdade, você vai errar muito até saber o que está fazendo). São poucas as pessoas que começaram brilhando com o primeiro projeto até porque muitos de nós já fizeram projetos menores pra satisfazer essa carência por experiencia. Lunar Magic parece um dragão de sete cabeças mas no fundo é apenas um chihuahua.
Se você é iniciante e quer fazer uma hack legal mas tem medo de cometer alguma bobagem e começar do zero eu recomendo criar o que eu chamo de Projeto Cobaia. Quer tentar inserir uma música? Teste na cobaia. Quer tentar fazer uma fase arriscada? Teste na cobaia. Quer aplicar um patch mas não sabe se vai ficar legal? Teste na cobaia. Ter uma ROM especialmente pra errar vai permitir que você aprenda com seus erros facilmente.
#3 - Respeite o trabalho das outras pessoas
Ninguém gostaria de investir bastante tempo pra alguém desmerecer o seu trabalho, dizendo coisas bonitas como "Se mata" ou "Minha avó faria melhor". Você pode não imaginar agora mas praticamente todo projeto possui uma dedicação que só quem investe o tempo dele sabe: são horas e horas pra fazer uma fase divertida, isso sem contar na busca por gráficos, músicas ou ASM. Se criar um level já dá trabalho imagine criar uma hack?
Existe uma grande diferença entre crítica e esculacho. Criticar algo não é simplesmente falar mal, mas apontar erros pra ver aquilo ficar melhor. Hoje em dia várias pessoas confundem opinião com crítica e aproveitam pra descarregar todas suas frustrações em alguém que eles nem se quer conhecem na vida real. O segredo da crítica perfeita é a forma que você se comunica e a mensagem: sendo objetivo (direto ao ponto) e educado, respeitando quem fez.
Uma vez que isso ficou entendido só resta esperar a outra pessoa assimilar o feedback.
Mas isso já é outra história...
#4 - Comece com projetos mais simples
Sabe o que é mais importante que criar um jogo? Lançar ele ao público.
Uma cilada bem comum de todo iniciante é que eles se deixam levar pela emoção de começar algo novo e é tanta coisa criando hype na cabeça da pessoa que ela já decide em querer criar o seu Magnum Opus, aquela hack enorme cheia de saídas, perfeita. Mas você sabia que praticamente 60% das hacks tradicionais feitas até agora não foram finalizadas pois os autores ficaram desmotivados?
Por experiência própria, eu recomendaria você começar por um projeto de até 20 saídas (não importa se é vanilla ou chocolate, o importante é você ter vontade de fazer algo). SMWhacking não é uma competição pra quem manda a melhor hack então não se apresse, siga o seu ritmo. Leia bastante tutoriais e experimente coisas novas (é sério, coisas ruins acontecem quando você se apressa pra fazer um jogo). Quando estiver pronto, está pronto.
Teoricamente, nada te impede de fazer uma hack gigante como primeiro projeto porém fique sabendo que vai exigir bastante de você. Ás vezes quantidade não significa qualidade, mas se você realmente se garante então nem o céu é o limite, meu amigo!
#5 - Não use savestates ao jogar as suas/outras hacks
Um dos motivos das hacks serem injustas antigamente é que algumas delas foram feitas com o uso de savestate em mente. Se lembra de quando você jogava aquela hack longa cheia de inimigos no Zsnes? E chegava um ponto em que você vivia dando savestate pois nem a pau ia morrer pra começar tudo de novo? Pois é: saiba que essa é uma bela mancada.
Apesar de ser prático, essa função infame esconde parcialmente a real dificuldade do jogo. Com savestate você é praticamente imortal: você não morre, não perde vidas, não perde tempo. Quando você faz uma hack com isso em mente tu perde totalmente a noção e não sabe se a fase está difícil demais ou longa demais. Não é algo natural e infelizmente se tornou uma ferramenta (prefiro chamar de trapaça) comum na vida de muita gente que cresceu com emuladores.
Só use savestate se você realmente perdeu a paciência com aquela hack.
Será um alerta vermelho que algo no jogo não está certo.
#6 - Salve o seu projeto na nuvem
Imagine você, que não tem muito tempo livre e está focado, determinado por quase 4 anos naquela sua hack muito louca até o dia em que o HD do seu computador explode. Você tenta recuperar os arquivos mas todos eles estão corrompidos e o backup mais recente foi do mundo 1. Bate aquela tristeza, não é? Pois então, saiba que eu também passei por uma situação similar e recomendo que todos vocês façam o backup dos seus projetos na nuvem.
Existem vários sites que oferecem este serviço, como Google Drive, Icedrive, Mediafire, por aí vai. Mas se você for do tipo quase paranoico pode muito bem salvar seus arquivos importantes (ou por que não secretos?) em mídias externas como cartão de memória e pendrives. Só não vai se dar o luxo de perder a mídia externa, aí é muita sacanagem mesmo.
#7 - Escolha um estilo que lhe agrade
Será que faço uma kaizo ou uma tradicional? hmmm
Se você é novato e quer fazer uma hack de Super Mario World precisa entender que existe vertentes do estilo tradicional/casual, tipo as vertentes do metal. Claro, você não é obrigado a fazer nem um nem outro mas sim escolher um caminho que mais lhe agrade. Mais importante que isso será o conhecimento adquirido sobre cada estilo de smw hack:
Hacks tradicionais são teoricamente aquelas em que levam mais tempo pra serem feitas pois exigem do autor um conhecimento mais amplo sobre game design, isto é, ele precisa estruturar um jogo, deixar ele divertido, desenvolver uma história (se houver) e trabalhar em uma curva de dificuldade que ficará explícita ao decorrer da experiencia do jogador.
Hacks kaizo (que começaram por uma hack troll, olha que ironia) ignoram totalmente os princípios de game design básicos pra criar as próprias regras/gameplay. Basicamente o foco aqui é chegar até o final da fase memorizando os obstáculos em sequencia. Se você morrer, vai voltar pro começo da fase, praticamente ignorando o sistema de vidas (ao contrário de Kaizo Mario). Hoje em dia esse estilo recebe bem mais atenção e suporte, facilitando seu desenvolvimento.
Existem outras não tão importantes assim, como Troll (hacks feitas pra quem adora passar raiva e ainda dar risada), joke (hacks onde o humor da hack está justamente na péssima qualidade da produção), Pit (hacks feitas para serem jogadas com TAS). A escolha é sua!
#8 - Feedback é super importante!
A um tempo atrás nós postamos um tutorial muito ruim sobre o assunto, portanto vamos resumir essa parte para que fique entendível para iniciantes.
Feedback nada mais é do que o retorno, a mensagem que o público envia após você mandar a sua mensagem (que aqui é uma hack de Mario). Vamos supor que você fez uma kaizo mas acha que ela é fácil então você manda para seus testers. Eles então vão dizer se ela está difícil demais e quais setups precisam ser melhorados para que a hack fique aceitável pelo público.
Testers (ou QA) é o pessoal que se dispõem a jogar o que você fez. Quanto mais testers você tiver (além de você), melhor... só não precisa ter uma legião de puxa-sacos (eles só sabem elogiar o que você faz e evitam falar os pontos negativos). O importante além de finalizar um jogo em geral é entregar algo que o pessoal queira zerar uma, duas, inúmeras vezes. Mas para que você consiga chegar a esse ponto, você precisa entender e superar a sua visão como desenvolvedor.
Em outras palavras: quando você cria algo você possui a visão artística. Quando o jogador testa seu jogo ele possui a visão casual porque ele não faz jogos então ele não sabe ao certo dizer porque uma fase está injusta ou chata. Pessoas com mais experiencia no ramo já possuem esse conhecimento e não só eles vão apontar os defeitos de forma técnica como também irão sugerir mudanças para que seu projeto fique ainda melhor.
Mas fique ligado: se você tiver certa experiência é dever seu, como desenvolvedor de jogos, separar as sugestões que fazem a diferença do achismo do pessoal. Ás vezes você pode estar certo e o ponto negativo é puramente subjetivo. Evite ficar fazendo mudanças desnecessárias pois assim como um bloco de argila ele perderá a identidade e até você ficará confuso no final.
#9 - Participe de eventos de Level Design
Isso pode realmente parecer assustador pra quem começou a fazer hacks hoje, mas participar de eventos de level design será uma ótima experiência para aqueles que desejam testar suas habilidades. O que eu vejo é que muitos entram nesses eventos pra provar que são melhores que outros (afinal é uma competição) assim quando alguém fica de fora do Top 10 não como será apenas um choque como quem dá feedback ás vezes poderá pegar pesado nas palavras.
A proposta seria a seguinte: não entre nestes eventos se não for pra competir consigo mesmo. No momento em que você se compara com o fulano, você ou se diminui ou se engrandece. Experimente pela primeira vez, receba sua colocação, leia o feedback dos juízes e pense "Oh, vou continuar estudando pra melhorar e tirar uma posição melhor na próxima!". Não fique desmotivado pelos inúmeros que ficaram acima de você, esqueça a rivalidade.
Lembre-se: apenas entre em um evento desses quando achar que está pronto para ser testado. Você não possui o dever de entrar em todo santo evento, mas a escolha será sua.
#10 - Desenvolva uma identidade
Já imaginou olharem pro seu nome da mesma forma que o logo da Konami no SNES?
Conforme você vai fazendo hacks que marcam o coração de várias pessoas, você desenvolve não só um estilo como também agrega valor positivo ao seu nome. As pessoas começam a falar bem dos seus trabalhos e esperam que você continue fazendo mais jogos. Para que isso aconteça, não só você vai precisar produzir um jogo divertido como também encontrar o seu público.
Pois bem, o segredo para fazer um jogo divertido é que, não só ele precisa respeitar os princípios de game design como também precisa trazer uma experiencia nova ao jogador. Jogos, assim como filmes, são formas de entretenimento: o bom jogo precisa entreter o jogador por horas. Você poderá aprender mais disso analisando os jogos que você gosta, procurando entender a visão do game designer ou apenas vendo aulas em inglês na internet.
O público são os seus jogadores. Eles são categorizados por diversas formas (como faixa etária e nacionalidade) mas a mais importante é a razão de querer jogar a sua hack. Jogadores possuem preferências, logo cada um deles buscam algo pra satisfazer seus desejos. O seu dever como desenvolvedor é satisfazer essa necessidade mas usando o seu estilo, suas idéias.
Quer alguns exemplos? Vamos lá:
- Hacks fáceis pra quem ainda está acostumado com a Nintendo.
- Hacks difíceis pra quem deseja testar suas habilidades.
- Hacks que se desenvolvem através de um plot original.
- Hacks sem história, puramente focada em mecânicas e ASM.
- Hacks extremamente longas pra gravar aquela stream.
- Hacks curtas pra jogar no intervalo da escola.
- Hacks de horror estilo creepypasta.
- Hacks de horror bem pesadas, mas focadas em um público adulto.
- Hacks para quem ama puzzle, vários deles.
- Hacks pra quem curte um bom ARG.
- Hacks com muito, mas muito anime.
- Hacks com pornografia.
E por aí vai...
Lembre-se que estes foram meros exemplos que eu coletei ao longo de 5 anos de experiência como jogador da SMWcentral. Nada vai te impedir em criar uma nova proposta, não importa o quão absurdo ela será. Ironicamente, o sucesso de algumas empresas vieram justamente por causa que elas arriscaram em algo que outras ainda não tinham feito. Vai encarar?




Ótimo tutorial.
ResponderExcluirParabéns pelo conteúdo de qualidade. 👍
:)
ExcluirExcelente matéria, bem redigida e simples de entender
ResponderExcluirJá faz alguns anos que faço jogos de vários estilos(desde criança fazia jogos artesanais, como tabuleiro e cartas)
Poderia acrescentar coisas que acho essenciais:
1 - faça jogos focados na diversão
quando alguém tem vontade de re-jogar teu jogo, é porque vc atingiu esse propósito, FATOR REPLAY
2 - jogos com desafio justo, aprendizado
um bom game designer só pode criar um jogo que ele mesmo é CAPAZ DE ZERAR antes de lançar
3 - possibilidades/aleatoriedade enriquecem o jogo
crie modos ou caminhos diferentes pra acessar as fases ou mundos, esse é o motivo pelo qual considero SMB3 perfeito, o uso da flauta no 1mundo já permite CAMINHOS/PARTIDAS DIFERENTES!!!
Grande abraço, espero mandar um jogo em breve pra vcs analisarem. Parabéns pelo Blog!!!