Autor: Yanama
Hack completa: 34 saídas
Emulador recomendado: Zsnes 1.53
"Após um longo descanso nosso heroi Lumos é invocado para enfrentar a fúria do mago Valos."
ATENÇÃO:
Configure o seu emulador dessa forma pra poder jogar no Snes9x.
Eu conheci essa hack em 2016 mas jamais tive a oportunidade de jogar-la. Tudo que eu sabia até então que ela era infame graças ao seu criador, Yanama, que fingiu ter leucemia em 2012 pra atrair atenção da comunidade para que jogassem seu jogo como último pedido. Como já devem imaginar, o tiro saiu pela culatra e ele foi banido da comunidade sem chance ou perdão.
A análise de hoje será focada simplesmente em seu único trabalho e peço por gentileza que nossos leitores tentem separar o autor da hack, até porque o incidente aconteceu a quase 10 anos atrás e ninguém merece carregar uma cruz pra sempre. Prontos? Vamos lá!
"Parece até fan-game do irmão da Peppa Pig."
O jogo inicia com o nosso herói acordando nas estrelas graças as preces da população terráquea ao testemunhar os horrores da gangue do vilão, que é um mago (qualquer semelhança com Ristar é mera coincidência). Lumos, o nosso herói, decide ir até o planeta Eternal Sanction mas descobre que existe uma barreira (um cano amarelo) exigindo o poder das estrelas para prosseguir. Lumos então tem a missão de visitar outros planetas á sua escolha e fazer o serviço.
Algo interessante do jogo, principalmente pra época, é que todas as fases já se encontram abertas (tipo VLDC) e tudo que você precisa é achar as saídas delas (existe até um lugar no HUD pra mostrar as saídas da hack). Para salvar o progresso você precisa ou superar uma torre especial ou visitar Lumesca City (existe uma loja que permite salvar seu jogo de graça). Logo no começo do game existe uma cidade que permite explicar todos os blocos e mecânicas novas.
Estas são as fases mais bonitas da hack até então.
O visual do jogo é uma novela mexicana. Boa parte da experiência visual consiste em uma mistura de gráficos originais que não envelheceram bem e gráficos ripados de outros jogos, só pra manter certo balanceamento. A statusbar do jogo possui cores bizarras que variam de level pra level, motivo esse pra rejeição caso fosse moderada pela SMWcentral. Demora um tempinho pra você se acostumar com os mapas já que eles também são meio feinhos.
A trilha sonora, pra minha surpresa, é de qualidade. Não só ela é variada, mas os instrumentos usados não são amadoras (como certas hacks que só usavam a guitarra vanilla pra tentar algo mais rock). O problema é que ás vezes fica chato demais ouvir uma música de 30 segundos em uma fase de 5 minutos. Boa parte da OST é composta de remixes de outros jogos como Megaman, Katamari Damacy, Mario Galaxy, enfim, várias músicas diferentes.
A primeira coisa que eu percebi ao jogar a hack foi a lentidão das transições: ao invés de serem 200% rápidas, são 200% lentas. Isso pode ser considerado uma decisão de game design super bizarro pois lembra aqueles jogos japoneses feito nas coxas que quase ninguém jogou. O level design é bem aberto e boa parte da gameplay consiste em chegar ao final da fase seja pelo caminho de cima ou por baixo.
Basicamente, a hack consiste em uma aventura do nosso personagem principal, Lumos. Em sua jornada, ele deverá visitar vários lugares já disponíveis para coletar estrelas o suficiente para prosseguir em pontos do mapa. Goal orbs se transformam em info boxes, chaves/fechadura se tornam uma estrela pela metade e poderes viram estrelas também. O jogo vai fazer questão de sempre te dar uma fireflower não importa a situação, deixando tudo menos difícil.
O problema da hack já começa na jogabilidade: por que o autor resolveu deixar as transições mais lentas que o jogo original jamais saberemos. A primeira vista é algo criativo e legal mas depois da terceira fase você se obriga a usar o >> do emulador. Algumas fases possuem saída secreta e geralmente estas possuem bastante backtracking. Se você é leigo no assunto permita me explicar: backtracking é quando o jogo te manda ir no final da fase pra pegar algo pra só então voltar pro começo da fase e usar aquilo pra continuar jogando.
Na teoria esse tipo de coisa não faz mal se for usado com cautela e em fases pequenas.
Já em Notte Luminosa, backtracking é o peru da ceia de natal.
Outra coisa que realmente incomoda é a ausência de indicação no mapa. Tá certo que naquela época não era todo mundo que sabia ASM, mas em um jogo em que o progresso depende das saídas coletadas fica extremamente difícil adivinhar se você já visitou aquela fase (lembre-se, fases abertas desde o começo) e se você já coletou as saídas dela, obrigando você a re-jogar feito um pateta.
Se você não faz idéia do que está acontecendo nessa imagem, imagine o jogador.
Sim, eu acabei de levar dano por inimigos escondidos em decorações.
O maior agravante da hack na minha visão é o fato que o game requer 100% como progressão principal. A primeira fronteira/cano te exige 25 saídas pra que você acesse a segunda parte do jogo... seria justo senão fosse o fato do jogo ter poucas fases no começo, obrigando o jogador a jogar todas elas pra atingir a meta sem nenhuma folga. Uma solução simples seria o jogo pedir como 10 ou 15 saídas para o jogador ter a sensação que ele está no comando.
Existem jogos como Megaman X que o jogo te diz "tem esses chefes, mata todos eles na ordem que você quiser" e tem jogos como Super Mario 64 que o jogo diz "pra acessar mais portas do castelo você precisa coletar estrelas". O detalhe é que o autor se inspirou no segundo exemplo e falhou porque no primeiro andar de Mario 64, por exemplo, você precisa coletar apenas 8 estrelas em 5 fases com 7 estrelas cada pra acessar a primeira fase do Bowser.
Á esquerda, um belo exemplo de gráficos que não envelheceram bem.
Á direita um exemplo de fase que você não vai querer jogar duas vezes.
Notte Luminosa é uma hack extremamente interessante que fez bonito pra época apostando em algo novo ao invés de seguir a mesma receita de bolo. O problema é que apesar de ter uma experiência sólida e uma apresentação questionável, a hack parece dar um passo pra frente e dois para trás. Como se isso não fosse o suficiente ela foi amaldiçoada pelo próprio autor. Notte Luminosa é uma experiencia mediana, mas que possui seus momentos.
Dificuldade: 2/5
Não é a hack mais difícil do mundo.
Jogabilidade: 5/10
Não é ruim, mas também não é tão bom.
Eu daria um ponto extra se não fosse pelo excesso de backtracking.
Gráficos: 5/10
Gráficos originais não envelheceram bem, são feios e confundem o jogador.
Gráficos ripados existem pra manter certo balanceamento visual.
Músicas: 8/10
Variada, de qualidade razoável.
Eu diria que é impressionante pra época.
Mapa: 5/10
O mapa das galáxias é bem mais bonito que o resto.
Bom, pelo menos alguém tentou por aqui.
Criatividade: 8/10
Praticamente é uma das poucas hacks com história e personagens originais.
Com certeza a criatividade se encontra no universo do criador.
Nota final: 6/10
Um projeto com potencial enorme pra ser muito mais do que ele é.
A impressão que fica é que você jogou uma demo ou algo feito ás pressas.







Eu conhecia o nome dessa hack por causa das más atitudes do autor (mais más do que as minhas na comunidade de smw hacking)
ResponderExcluiracho que vou dar uma chance a essa hack :)